segunda-feira, 6 de maio de 2013








Corporativo sim, pero no mucho !

Por Marcelo Braga

Há alguns anos atrás quando se falava em evento corporativo, reuniões, seminários, congressos e afins os possíveis participantes tinham que gostar muito do assunto para enfrentarem horas e horas de palestras, gráficos e imagens no data show, mestres de cerimônias extremamente carrancudos e conciliadores de debates parecendo juízes da corte francesa do século passado.

 Hoje em dia, os eventos ganharam frescor e leveza, mesmo com temas extremamente sérios
 como as novidades no tratamento do câncer e o equilíbrio ambiental. As dinâmicas são outras e nada lembram a antiga formalidade de se conduzir o evento, onde antes se encontrava muita gente pelos corredores fugindo pro cafezinho ou lavando o rosto no banheiro para espantar o sono.
 Nos eventos corporativos hoje além de coffee breaks elaborados, deliciosos e até temáticos como, por exemplo, com música ao vivo, existem profissionais em massoterapia para alongar e relaxar os participantes que ficam horas numa cadeira que por mais confortável que seja se torna incômoda pelo tempo sentado nela. Em outros eventos, num determinado momento entram professores de educação física que transformam a sala de reunião numa verdadeira academia de ginástica com direito a som alto e frases de incentivo como: “Todo mundo !!! Agora !!! Faltam duas !!!Um, dois, três, quatro !!!” numa aula de no máximo 5 minutos chamada no stress break.


Os organizadores de eventos hoje não medem esforços para agradar e mimar seus participantes oferecendo brindes de boas vindas que incluem desde pastas em couro com toda programação, camisas, bombons personalizados, mochilas e tudo mais que a criatividade mandar e a verba permitir. Palestrantes de hoje tem status de vip e muitas vezes os mestres de cerimônia são artistas e personalidades que são convidados para dar mais brilho e dinâmica no palco.
Muitas vezes a programação oficial inclui momentos de integração entre os participantes como passeios, jantares, atividades esportivas, sessões de cinema e teatro ou horas livres onde o participante do evento pode explorar a cidade que muitas vezes não conhece, ou ainda a possibilidade de levar a família em dias que misturam reuniões e momentos agradáveis e são criadas atividades para as esposas (ou maridos) e para os filhos.

Já pude incluir nessas programações atividades ditas“normais” como aulas de culinária, danças de salão, artesanato e torneios de jogos de tabuleiro e cartas e até atividades “inusitadas” como dança do ventre, maquiagem e beleza, marketing pessoal, e acreditem... pole dance que faz extremo sucesso entre as participantes.
Esses eventos corporativos são de grande importância para a cidade, pois aquecem a economia local, movimentando lojas, restaurantes, bares e todo tipo de comércio. Muitas vezes cidades que tem a procura maior em determinadas épocas do ano como Cabo Frio e Búzios no verão e Campos do Jordão no inverno, recebem um up em sua baixa temporada com esses acontecimentos.

Eventos corporativos viraram programas imperdíveis hoje em dia, as opções fora da sala de reuniões são tantas que temos quase um complexo de diversão acontecendo em paralelo com o evento com cyber café, salas de games, personais tudo e mimos, mimos e mais mimos.
Com o andar da carruagem, chegará o dia em que numa conversa os diálogos serão assim: “Você vai pro evento de geofísica?” e o outro vai responder: “ Não! Vou pro simpósio de neurologia que vai ter como mestre de cerimônias a Nanda Costa que faz a Morena em Salve Jorge !”

E num desses showventos que já realizei, onde os brindes eram pra deixar qualquer um de queixo caído, no final de tudo o coordenador muito satisfeito quis me presentear com algumas daquelas coisinhas cobiçadas e fazendo a apresentação do produto disse: ”Essa caneta é fantástica ! Tem lanterna de led, ponto direcionado em vermelho, é termômetro, tem trena eletrônica, tem desse outro lado lapiseira, vai nessa caixa de material reciclável desenvolvida por um grande designer....” e eu inocentemente pergunto:”E como faz pra escrever?”

Então tá né?


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