sábado, 20 de julho de 2013

Um Beijão Para os Amigos

CRÔNICA DA SEMANA

Um beijão para os amigos

por Anna Ramalho
anna-ramalho-jornalista


Estou ainda para ser apresentada a alguma coisa melhor do que amigo. Amigo é tão perfeito que a gente escolhe – diferentemente de tantos parentes insuportáveis que nos são impostos.
Dia 20 de julho é o Dia do Amigo – e, ainda que ache essas datas todas de um ridículo à toda prova, presto aqui a minha homenagem aos meus. Alguns recentes, vários virtuais, outros que me acompanham desde sempre; aqueles que vejo a toda hora e aqueles que vejo raramente, sem que isso altere minimamente o afeto ou a intimidade; e os  amigos-irmãos – os mais raros e os mais amados.
Meus amigos-irmãos são poucos, claro. Já lá se vai o tempo em que eu achava que aquela intimidade de momento faria daquele ou daquela o irmão, a irmã. A vida tratou de me botar nos eixos, de me fazer cair na real, muitas vezes me pegando de surpresa. Como assim fulana não é minha amiga? Não, me sopra aquela voz da consciência, a fulana era amiga da colunista, não de você.  Aí eu costumava ficar muito triste, já não fico mais, até porque fiz amigos verdadeiros e muito queridos durante todos os anos das colunas cintilantes e poderosas.  Se fosse me entristecer pela quantidade de falsas amizades, de aproveitadores, de interesseiros, já teria morrido de tristeza e dor.  Eu, hein?!  Imagina se eu vou dar a essa gente desqualificada este prazer? Nem morta!
Da mesma forma,  já preguei na parede como diploma falso aquele tipo de gente, muy amiga, que só procura na hora em que precisa de alguma coisa. Ou daqueles que, com horror de lembrar que um dia foram duros e desinteressantes ( isso não há dinheiro que dê jeito), preferem evitar o amigo que testemunhou as vacas magras. E aqueles que são cronicamente ingratos? Para eles, um pouco de Confúcio: “Por que me queres o mal se nunca te fiz o bem?”.
***
Graças ao Bom Pai, sou bem aquinhoada de amigos e esses outros só me servem hoje para ilustração dos meus pontos de vista. O que são, como vivem, o que fazem, não me interessa a mínima. Continuo cumprimentando quando encontro, porque a educação, no meu caso, é aquela coisa para sempre - mas o sentimento é tão mecânico quanto o par de beijinhos que invariavelmente levam.
Agora, então, quando já cheguei ao chamado outono da vida, agora mesmo é que me recuso a gastar um minuto sequer das minhas preciosas horas com esse tipo de gente. São poucos os momentos que tenho para estar ao lado de quem verdadeiramente amo, portanto não vou gastá-los com quem não merece mais o meu carinho e a minha atenção.
Noves fora esse povinho descartável, a vida foi pródiga comigo no que tange a amizades. Estão aí minhas colegas do colégio, amigas de uma vida, que não me deixam mentir. Estão aí  meus amigos de domingueiras no Iate Clube, das festas de 15 anos e dos bailes de formatura, das nossas alegres e inocentes noitadas naqueles anos dourados.
Benditos amigos. Amados amigos. Presentes nos momentos importantes: casamentos, nascimentos, funerais. Nas horas do riso, no momento do pranto. Agradeço todo dia a Deus a graça de ter cada um deles e de felizmente ter perdido poucos para a morte. Aos meus amigos adorados, aqueles que sabem quem são sem que eu precise dizer, mais uma vez muito obrigada por tudo. Francamente não sei o que seria da minha vida sem vocês.

Anna Ramalho é colunista do Jornal do Brasil, criadora e editora do sitewww.annaramalho.com.br e cronista sempre que pode.
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